
Bruce W. Winter
Um aspecto singular do primeiro século é a extensão em que o direito romano, incluindo o direito penal, sustentava todos os aspectos da sociedade. Esse fenômeno era peculiar àquele império, e historiadores do direito romano argumentam que ele nunca foi replicado na mesma medida em civilizações subsequentes. Sendo assim, seria de se esperar que convenções relativas a várias esferas da vida, bem como códigos de vestimenta apropriados, estivessem refletidas no direito romano.
No The Digest, que codificou o direito romano e sua interpretação, legisladores e juristas romanos tomaram decisões com base na premissa de que, na sociedade da época, “você era o que vestia”. Isso se aplicava igualmente a homens e mulheres na vida cotidiana. Durante o período de Augusto, havia distinções ainda mais nítidas — observadas em parte pelas vestimentas e pela disposição dos assentos em ocasiões públicas, como no teatro e em banquetes. O status dos cidadãos do primeiro século era facilmente identificado pelos códigos de vestimenta. Os homens eram o que vestiam no Direito Romano. Os senadores pertenciam à classe mais alta e eram considerados socialmente iguais ao imperador. Usavam uma larga faixa púrpura na túnica (latus clavus), sandálias específicas e um anel de ouro. Esses e outros privilégios senatoriais eram estendidos a todos os parentes próximos e descendentes de um senador. Os membros da classe dos equires romanos há muito necessitavam de um requisito de propriedade, e Augusto os distinguiu mais marcadamente da classe senatorial ao estabelecer um diferencial financeiro. Eles garantiram o direito de usar o anel de ouro especial dos senadores e de sentar-se nas primeiras filas do teatro. As roupas não definiam o homem, mas certamente indicavam quem ele era no sistema de classes do primeiro século.
As mulheres também eram definidas pelo que vestiam no direito romano. Isso valia tanto para a modesta mulher casada quanto para as jovens solteiras castas, assim como para as hetairai, as prostitutas de classe alta. Essas categorias matrimoniais e morais também podiam ser decifradas por suas vestimentas em público e foram registradas para a posteridade em diferentes tipos de estátuas.
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